Não era pela ultima vez, apesar de o ser, o rapaz e sua amada, as flores e sua Strato.
Talvez a inversão de papéis fosse ruim ao sentido que não mais se fazia música.
Talvez simplesmente não fossem necessárias nem flores, nem guitarra, para a melodia soar.
Nenhuma nódoa passada marcava o presente, e ele era feliz, e Lyra era feliz. O mundo podia sair de órbita, o sol podia acabar, a lua podia explodir, e nada, por mais confusa confusão que se formasse, estragaria o para sempre dos dois.
- Sabe Lyra, lembro-me pouco, ou talvez nada, de como, ou porque te encontrei. Encontramos milhares, ou talvez milhões, mas nenhum encontro decisivo se faz ao acaso.
- Filosofias durante a manhã… Talvez seja por isso que te amo tanto.
E um diálogo nada fugaz, travado entre duas mentes, dois olhares, centenas de batimentos, impulsionou-os à um toque.
O mais sublime dos toques. Aquele que faz explodir emoções, suscitar reações. Nada podia ser mais perfeito, se é que a tão imperfeita perfeição existe.
O beijo se prolongou, a vida continuou. Os batimentos retumbavam átimamente, seguidamente, como se num compasso. A música se fazia, mesmo sem a guitarra. As almas brilhavam, o mundo sumia.
Talvez um cupido travesso voasse por ali no momento, atirando flechas de seu arco dourado, brincando com os sentimentos já exacerbados dos dois.
Ele fechou os olhos, suspirou, e nunca mais não foi uma vez. Nunca mais, para sempre.
Evan Armenc
(Source: wordsnroll)
Não era uma vez um lençol sem flores, sem uma face nelas enterrada, com uma melodia ao fundo.
Notas retumbavam. Pareciam pouco nítidas para quem apenas ouvia.
Um rapaz. O mesmo rapaz. E ainda mais alguem.
Ambos ouviam, sentiam, e era perceptivel o quão mais claro aquele ritmo se tornava em seus corações.
A voz laureante riscava o ar, cortando-o como um diamante corta o vidro. Quisera o ar ter ouvidos, para ouvir também ele aquelas notas. Quisera o quarto ter um coração, além dos dois que batiam acelerados em seus limites, para assim sentir o quão profunda era a harmonia.
Ele tocava, ela cantava.
Ele tocava, ela sorria.
Ela sorria, tudo luzia.
Seus olhos luziam, o brilho inundava.
- Como não disse o poeta, Lyra, tu és pois sim, pois bem, pois a mais linda.
- Como não disse o poeta, se este acabou de o dizer?
- Poeta? Eu? Não sou mais que um mero mortal. Poetas vivem para sempre. Eu… Estou em uma segunda vida.
- Bobo.
E o mundo fazia sentido, o suficiente para voltar a não o fazer.
Afinal, amor com sentido é simplesmente uma convenção: Um diz ao outro “Vamos nos unir, sermos felizes juntos, se dermos sorte para um ‘para sempre’, e, se não dermos, vamos sofrer depois. De acordo?” Dispensado o sentido, desprovida a clareza, tudo volta a ser sentimento, e nada mais é certo. Nada é menos certo.
O rapaz voltara a sorrir.
Ele continuou tocando, continuou amando, e não mais sofreu. Não mais naquele “Para sempre”.
Evan Armenc
(Source: wordsnroll)
Não era uma vez, já exacerbadamente, o rapaz e sua guitarra, o lençol e suas flores.
Ele pensava.
Pela primeira vez em semanas… Ao menos em algo diferente dela.
Ela lhe fazia mal, e nada estava mais certo.
Maldita garota.
Malditas notas dedicadas à ela.
Maldito e melódico Sol, que tanto lhe fizera feliz ao ouvir a voz doce entonando, ao som de sua guitarra.
Sua Strato tornara-se depósito de poeira. Nada mais.
Tudo estava bagunçado em sua mente. Só era clara a necessidade de uma distração.
Levantou. Teclou. Clicou.
Logo o som invadia seu quarto, vindo do computador.
”I Zombie”… Concordava com sua situação atual, mas logo o cansou. Tudo era assim atualmente.
Desligou. Deitou. Suspirou. Levantou. Saiu.
Talvez a luz do dia lhe fizesse bem, diferente das notas tão passivas de sentimentos de uma guitarra.
Andou, pensando em coisas aleatórias.
Talvez finalmente tivesse aceitado.
Olhou ao lado… A Praça.
E ali estava ela, primeiro para deleite de seu coração, que acelerou, após semanas pensando em parar. Depois, para fenecimento de seu cérebro, que processava informações cada vez piores.
Ali estava ela. Ela e alguem.
Ele correu. Trancou. Morreu.
E as flores enterraram sua face.
Ele esqueceu a guitarra, as notas, a melodia, e não mais tocou.
Não mais naquela vida.
Evan Armenc
(Source: wordsnroll)
Não era pois bem uma vez o mesmo jovem rapaz, estirado sob as flores que boiavam em seu lençol.
Sua velha Strato parecia agora apenas uma lembrança de seus tão felizes dias com ela.
A garota não mais existia em sua vida. A música não mais se fazia, o sorriso já não mais luzia.
Compor se tornou dificil. Quase tanto quanto viver.
Ele sabia que não podia, não devia estar assim. O mundo não era só ela.
Pois bem, pois sim.
Talvez para ele o fosse.
Suas mãos agarraram o cabo da guitarra, com a suavidade de quem toca a pele da amada.
Ele deixou que os dedos se guiassem pelo pensamento, e um fúnebre ré menor fez-se ouvir.
Ele lembrou. Parou. Soltou.
Notas não mais eram alegria. Não se fazia mais melodia.
Ele chorou, viveu, e não mais amou.
Não mais naquela noite.
Evan Armenc
(Source: wordsnroll)
Se em minha vida tudo escurece
Se um ser tenebroso aparece
Se muito acima do chão eu estou
Se para longe de quem amo me vou
Meus sentidos parecem apenas
Querer de tudo fugir
Mesmo que diga “não temás”
Esse medo não deixa-me ouvir
Sem pensar, por não conseguir
Por reflexo, tendo a agir
E o pavor então me consome
É visivel o que o medo quer
Perceptivel que ele tem fome
E a mim, só resta fugir.
Evan Armenc
(Source: wordsnroll)
- Olá, jovem mestre, como está?
- Gostaria, pois sim, de “Bem”, poder dizer.
- Ora, o que, contigo, há?
- Digamos que estou para morrer.
- Jovem mestre, não diga tal bobagem.
- Mas estou. Esse tédio me mata!
- Se é tédio seu problema, tudo bem…
- Bem uma ova! Veja como me trata!
- Perdão, jovem mestre, não tive a intenção.
- Às favas! Me arranje algo para fazer.
- Nada digo, a não ser, “Sim, meu lord, com prazer”.
- Você é um empregado útil, Sebastian.
- Sou apenas um mordomo e tanto, pois sim.
- É bom ter você servindo a mim.
Evan Armenc
(Source: wordsnroll)



